Leão de Prata de Dança entregue hoje a Marlene Monteiro Freitas

Saber | Dança
  • Data

    28.06.18

Marlene Monteiro Freitas recebe esta noite o Leão de Prata na Bienal de Veneza, na categoria Dança. Esta é a primeira distinção da dança portuguesa num dos mais relevantes eventos internacionais para a criação contemporânea.

Em Veneza, a coreógrafa irá apresentar o espetáculo “Bacantes – Prelúdio para uma Purga”, estreado em finais de Abril de 2017 no Teatro Nacional Dona Maria II, numa coprodução com o Teatro Municipal do Porto. Sílvia Câmara, Diretora-geral das Artes, e Cláudia Belchior, presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional Dona Maria II, deslocaram-se a Veneza em representação do Ministério da Cultura.

Nascida em Cabo Verde, Marlene Monteiro Freitas distingue-se por aliar a experimentação a um olhar meticuloso sobre os limites do corpo, da perceção e da relação entre simbólico e material. A dança, a música, o cinema ou a filosofia são usadas como pontos de partida para coreografias onde o corpo se posiciona como veículo através do qual é possível ambicionar um outro estado sensorial, mais livre e, se menos identificável, certamente próximo de uma relação mais intensa com o que nos seja  íntimo e profundo.

Ao longo dos diferentes espetáculos que foi assinando, ou mesmo como intérprete para coreógrafos como Tânia Carvalho, Tiago Guedes, Emanuelle Huyn, Louic Touze ou Boris Charmatz, Marlene Monteiro Freitas construiu sempre a sua presença numa lógica de territorialização do movimento, enquanto hipótese de diálogo com o outro - seja esse outro um bailarino, o espectador ou a imagem que ela própria ia construindo de si, como em Guintche (2010, solo) ou Mimosa (com François Chaignaud, Cecília Bengolea e Trajal Harrell, 2011).

O que a Bienal de Veneza escolheu celebrar, elevando a dança de Marlene Monteiro Freitas a um patamar de excelência e tornando-a referencial, é não apenas a singularidade, a seriedade do animal (para usar o título de um dos seus espetáculos), ou a afirmação de uma rutura na dança contemporânea europeia, mas sim, e sobretudo, uma liberdade no olhar, uma sabedoria na conjugação dos elementos e uma relação coesa entre o corpo e o discurso.

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