Lisboa | De 29.07.22 a 29.10.22

A Biblioteca Cosmos e a propagação das luzes

Exposições | Livros

A missão da Biblioteca Cosmos consistiu, nas palavras de Bento de Jesus Caraça, seu único diretor, em “dar ao maior número o máximo possível de cultura geral, tornar acessível a todos [...] uma visão geral do mundo, mundo físico e mundo social, da sua construção, da sua vida e dos seus problemas”.

A iniciativa emanou, pois, de uma orientação que pressupõe que a propagação das “luzes” conduz à emancipação pessoal e social, desde logo a uma cidadania crítica e a uma opinião pública culta e empenhada. No contexto do salazarismo, representou uma iniciativa ousada e corajosa de combate ao obscurantismo, promovido pelo próprio presidente da Academia das Ciências, Júlio Dantas, que proclamou, em 1944, a falência da ciência face às grandes questões humanas.

Evocar este grande empreendimento enciclopédico, presente ainda na casa de muitos portugueses, com uma mostra bibliográfica, reaviva a relação íntima que não pode deixar de existir entre a democracia e o acesso à cultura, pois só a cultura liberta, como Bento Caraça referiu em várias ocasiões.

A exposição constitui igualmente um bom motivo para recordar outras iniciativas editoriais com os mesmos propósitos e igualmente de grande fôlego e mérito. Desde logo, a Biblioteca do Povo e das Escolas, que serviu de referência inspiradora à Biblioteca Cosmos, mas também os Cadernos Inquérito, de Eduardo Salgueiro, as edições da Empresa de Publicidade Seara Nova, de Luís da Câmara Reys, ou a Colecção Saber, das Publicações Europa-América, dirigidas por Francisco Lyon de Castro.

Fonte: BNP

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