Porto | De 21.09.21 a 15.03.22

LEITURAS NO MOSTEIRO

Teatro | Teatro
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    Mosteiro São Bento da Vitória

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Por uma vez, o texto dramático cede lugar ao libreto de ópera, forma literária olhada com relutância. Lembremos a máxima de Salieri: “Primeiro a música, depois as palavras.” Ou, em chave provocatória, a sentença de Gilles Tromp: “Um libreto não foi feito para ser lido.” Pois bem, selecionamos alguns libretos para os desmentir. De comum a todos eles, a ideia de renovação ou afronta a hierarquias e a ideologias estabelecidas. Em Ascensão e Queda de MahagonnyBertolt Brecht aplicou os métodos do seu teatro épico à ópera. A música, defendia, deve pressupor o texto, emancipando-o, em vez de o ilustrar. Amor de Perdição, que António S. Ribeiro construiu a partir do romance de Camilo Castelo Branco, autodenominou-se “drama musical para cantores, atores e músicos”, sinalizando a performatividade das palavras ditas e cantadas. Se Mahagonny coloca a nu o mundo burguês, O Ouro do Reno, “prólogo” da tetralogia O Anel do Nibelungo, pode ser lido como uma alegoria do capitalismo. Richard Wagner não se socorreu apenas das epopeias medievais germânicas para a “escrever”, alimentando-se também da filosofia “revolucionária” de Feuerbach… Em dezembro, viramos agulhas para a dramaturgia contemporânea em língua portuguesa, lendo textos criados no Laboratório END, uma das iniciativas-satélite dos Encontros de Novas Dramaturgias. Depois, damos voz a um conjunto de dramaturgos que tem vindo a construir um universo multiforme e em expansão. Sondamos autores jovens e menos jovens, emergentes ou consagrados, portugueses, brasileiros, afrodescendentes. O que pode esta língua?

Fonte: TNSJ

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