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Onde
Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
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Ultratremor organiza-se em torno de aparições e fantasmagorias: daquilo que se manifesta sem se estabilizar, que se insinua nos limites da cognição e no entremeio de diferentes dimensões. A exposição reúne dezasseis artistas portugueses e brasileiros cujas práticas operam nas passagens entre a matéria e o espírito, o visível e o oculto, o signo e o sentido — aproximando-os não por afinidades formais, temáticas ou narrativas, mas por uma frequência comum que vai além da língua partilhada e da história que a precede. Desse encontro surge um tecido sensível em que o terreno se confunde com o etéreo, e a imagem se revela menos como representação do que como canal energético. De ambos os lados do Atlântico surgem modos de abeirar a fronteira do mundo material com aquilo que o transcende, formando um campo de investigação voltado para a ressonância de fenómenos ontológicos e espirituais.
O “tremor” que dá título à exposição é ao mesmo tempo trepidação física e fervor existencial: o estremecimento que antecede a revelação, a oscilação vibratória entre diferentes planos. Ultratremor, portanto, refere-se a um grau de manifestação que permite entrever o que escapa à perceção corrente. Neste registo, a arte atua como prática visionária, como modo de se aproximar dos mistérios e de convocar o indizível e tudo aquilo que resiste a qualquer fixação.
Fonte: MMP